Segunda-feira | Janeiro 30, 2006

O amor é uma companhia

Em honra do inexplicavel Amor.. aquela emoção que nos bate à porta quando menos esperamos... como é bonito estar-se apaixonado, mesmo não sendo correspondido. O Amor é vida!!!
Fica aqui um poema do genial Fernando Pessoa, aliás do seu heterónimo Alberto Caeiro (o meu favorito).




O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

                                                                                        Alberto Caeiro

Escrito por Filipe Ribeiro em 16:56:04 | Link permanente | Comments (1) |

Sexta-feira | Janeiro 27, 2006

As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

                            Eugénio de Andrade

Escrito por Filipe Ribeiro em 01:20:01 | Link permanente | Comments (2) |

Quinta-feira | Janeiro 05, 2006

Amor é fogo que arde sem se ver

Para começar um novo ano em grande, aqui vos deixo um dos meus poemas favoritos. Em homenagem a esse grande senhor, Luís Vaz de Camões.
Um bom ano para todos!



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

                                    Luís de Camões

Escrito por Filipe Ribeiro em 15:18:05 | Link permanente | Comments (1) |